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Para fazer face a uma crise humanitária de grande escala, marcada por deslocamentos massivos, fome e colapso dos serviços de saúde, a Médicos do Mundo iniciou uma intervenção humanitária no oeste do Sudão.

08 de maio de 2026

Há três anos que o Sudão é devastado por um conflito armado de grande magnitude e violência. A guerra civil provocou o deslocamento de 13 milhões de pessoas, forçadas a fugir dos combates. Perante o agravamento da situação, a Médicos do Mundo iniciou atividades no Darfur, no oeste do país, ao mesmo tempo que alerta para a urgência de uma resposta humanitária.

A região do Darfur está entre as mais severamente afetadas pelas consequências do conflito. Milhões de pessoas deslocadas, concentradas em zonas áridas e de difícil acesso, sobrevivem em condições extremamente precárias. A população enfrenta níveis alarmantes de insegurança alimentar, com cerca de 5 milhões de crianças e mulheres grávidas ou lactantes a sofrer de desnutrição aguda, e riscos acrescidos de surtos epidémicos, num contexto em que 80% dos serviços de saúde primários deixaram de funcionar.

Para responder a esta situação crítica, a Médicos do Mundo assumiu a gestão integral de uma clínica no campo de deslocados de Dar Omo, que acolhe cerca de 45 mil pessoas. Nesta área geograficamente isolada, marcada por constrangimentos logísticos significativos, a organização é um dos poucos atores humanitários a manter uma presença operacional contínua.

“Desde a abertura da clínica, a Médicos do Mundo realiza cerca de 200 consultas por dia, sobretudo no âmbito dos cuidados de saúde primários, incluindo serviços de nutrição e vacinação. Atualmente, 50% das consultas pediátricas dizem respeito a doenças evitáveis, como a pneumonia ou as diarreias.

 

"Estamos também a preparar-nos para a prevenção e resposta a surtos de doenças como o sarampo ou a cólera, endémica nesta região durante a estação das chuvas, entre junho e setembro”, explica Marie-Laure Herdhuin, responsável pelas Operações de Emergência da Médicos do Mundo.

 

Com uma equipa de mais de 80 profissionais locais, a clínica assegura o acesso a cuidados de saúde primários, incluindo serviços de saúde sexual e reprodutiva, prevenção e resposta a epidemias, bem como apoio em saúde mental.