Ficha Técnica

Área de Intervenção
Prevenção e promoção da saúde - com especial enfoque no envelhecimento ativo e saudável e no ageing in place.
Duração
12 meses (de fevereiro de 2026 a janeiro de 2027)
Localização
Concelho do Porto
Descrição

A longevidade é uma das transformações mais profundas do século XXI. Em Portugal, há uma mudança demográfica inegável que vai afetar todos direta ou indiretamente. Viver mais tempo é, de facto, uma feliz conquista, mas a existência de um número cada vez mais elevado de pessoas adultas mais velhas constitui um desafio para as comunidades. Enfrentamos atualmente um envelhecimento demográfico marcado, com elevada prevalência de doenças crónicas, isolamento social e fragilidade funcional. 

Na cidade do Porto, mais de 25% da população tem mais de 65 anos, sendo que uma parte significativa vive só, com baixos níveis de suporte social e acesso limitado a respostas adequadas. Este contexto traduz-se numa maior vulnerabilidade a quedas, agravamento do estado de saúde, isolamento social e institucionalização precoce, sendo agravado pela fragmentação das respostas existentes, frequentemente reativas e pouco articuladas entre si. O projeto dirige-se a pessoas adultas mais velhas, em situação de vulnerabilidade social, funcional e económica, bem como aos seus cuidadores informais, que enfrentam frequentemente sobrecarga, falta de suporte técnico e dificuldade na gestão do cuidado. As consequências deste contexto incluem perda de autonomia, deterioração da qualidade de vida, aumento do risco de internamentos evitáveis e redução da participação social. 

O Porto Cuida desenvolve-se no município do Porto, através de uma intervenção de proximidade no domicílio, garantindo maior cobertura territorial e acesso a populações que frequentemente não conseguem aceder às respostas formais. Perante este cenário, o Porto Cuida posiciona-se como uma resposta integrada e inovadora, promovendo o ageing in place, ou seja a possibilidade de envelhecer no domicílio, com segurança, autonomia e sentido de pertença à comunidade. Através de uma abordagem multidisciplinar e centrada na pessoa, o projeto articula saúde, funcionalidade, contexto habitacional e suporte social, substituindo cuidados fragmentados por uma rede de acompanhamento contínuo, baseada na proximidade, confiança e continuidade. A intervenção inclui acompanhamento técnico regular no domicílio, articulação com serviços de saúde, sociais e comunitários, capacitação de beneficiários e cuidadores, bem como a disponibilização de produtos de apoio e realização de pequenas adaptações domiciliárias.

O Banco de Produtos de Apoio assume um papel central, permitindo dar resposta imediata a necessidades críticas. Equipamentos como cadeiras de rodas, andarilhos ou cadeiras sanitárias, aliados a pequenas adaptações no domicílio (por exemplo, barras de apoio), permitem compensar limitações funcionais, reduzir o risco de quedas e promover a mobilidade e autonomia. Estas soluções contribuem não só para a segurança física, mas também para a redução da dependência de terceiros, do isolamento social e da institucionalização precoce, promovendo maior dignidade e qualidade de vida. Mais do que responder a necessidades imediatas, o projeto cria condições para que as pessoas permaneçam nos seus contextos de vida com segurança, autonomia e bem-estar, gerando ganhos sustentados ao nível físico, emocional e social.

Objetivo Geral

Em 12 meses, pretende-se contribuir para o envelhecimento ativo e saudável de pessoas adultas mais velhas, em situação de vulnerabilidade, e a capacitação para o processo de cuidar de cuidadores informais, através de uma intervenção domiciliária integrada e multidisciplinar.

Objetivos Específicos

1.1. Promover a funcionalidade, a autonomia e a segurança, bem como a melhoria na prestação de cuidados aos beneficiários no domicílio.
1.2. Promover o acesso dos beneficiários a cuidados de saúde, sociais e comunitários.
1.3. Capacitar beneficiários e cuidadores informais, promovendo literacia em saúde, bem-estar emocional e redução da solidão.
 

Metodologia, instrumentos de avaliação e recolha de dados
Os parceiros sociais e de saúde sinalizam à Médicos do Mundo os utentes e/ou necessidades e situações de risco, através do Registo de Referenciação/Formulário de sinalização, disponibilizado em formato online.

 

Para o processo de avaliação, serão aplicados instrumentos/escalas validados (nomeadamente o Índice de Barthel, Escala de Lawton&Brody, ALONE, The Home Falls and Accidents Screening Tool (HOME FAST) ou checklist de avaliação de risco de queda, sempre que possível, integradas numa bateria multidimensional que permite avaliar funcionalidade, bem-estar, condições habitacionais e necessidades. Poderão ainda ser aplicados outros instrumentos de avaliação, se se revelar necessário.

 

Para além da avaliação quantitativa, a avaliação qualitativa permitirá compreender as mudanças significativas na vida das pessoas, nomeadamente na funcionalidade, redução da perceção de solidão, reforço dos conhecimentos e estratégias preventivas e melhoria da qualidade de vida.

 

Utilizaremos um Sistema de Informação, Monitorização e Avaliação para análise contínua de dados e evolução do projeto. A intervenção será acompanhada pelos Processos Multidisciplinares Individuais, atualizados após cada contacto, onde se registam objetivos de intervenção, evolução e necessidades.

 

A equipa reunirá periodicamente para refletir sobre resultados, ajustar estratégias e garantir melhoria contínua. 

 

Será elaborado um relatório técnico e financeiro anual e partilhado com todos os stakeholders, nomeadamente os beneficiários (pessoas adultas mais velhas e seus parceiros de cuidados), voluntários, parceiros institucionais, financiadores/investidores sociais, entre outros.
 

Figura 1: Modus operandi do Porto Cuida.

 

 

 

 

Público-Alvo

Direto: 
1. Pessoas com idade igual ou superior a 55 anos, de ambos os géneros, em situação de isolamento e/ ou vulnerabilidade social, com ou sem diagnóstico de patologia. (N=80)  
2. Cuidadores informais de pessoas dependentes e/ou com algum grau de incapacidade. (N=20)  

Indireto: 
1. Elementos da comunidade local e rede de proximidade (por exemplo, familiares e rede de suporte informal dos beneficiários, rede de vizinhança, voluntários, parceiros institucionais, etc.).

 

Recursos Humanos

A implementação da intervenção será assegurada por uma equipa multidisciplinar composta por:

  • 1 coordenador/a e terapeuta ocupacional, responsável pela coordenação técnica e operacional do projeto, planeamento das atividades, monitorização dos resultados e acompanhamento direto dos beneficiários;
  • 2 enfermeiros/as em regime de meio tempo, responsáveis pelo acompanhamento de indicadores de saúde, promoção da saúde e educação para estilos de vida saudáveis;
  • 1 psicóloga em regime de meio tempo, responsável pelo acompanhamento psicossocial dos beneficiários, desenvolvimento de atividades de apoio emocional e promoção do bem-estar mental;
  • Corpo de voluntariado, constituído por 2 médicas, 1 nutricionista e 1 mediadora comunitária, que apoiarão nas ações especializadas de prevenção, aconselhamento, sensibilização comunitária e encaminhamento para serviços adequados.
     
Parceiros
55+
ACeS Porto Ocidental - Agrupamento de Centros de Saúde
Alberto Oculista
Associação Compassio
Associação Coração Amarelo
Caetano Auto
Centro de Inovação Social da Câmara Municipal do Porto
Centro Social e Paroquial de São Nicolau
Cooperativa do Povo Portuense
Cruz Vermelha Portuguesa - Delegação do Porto
Escola Superior de Tecnologia da Saúde do Porto
Faculdade de Medicina Dentária da Universidade do Porto
GAS PORTO - Grupo de Ação Social do Porto
Helpphone
Junta de Freguesia de Campanhã
Junta de Freguesia de Paranhos
Junta de Freguesia de Ramalde
Junta de Freguesia do Bonfim
LongeVidade Cooperativa de Solidariedade Social, CRL
Norte Vida - Associação para a Promoção da Saúde
Passo Positivo
Programa Integrado de Policiamento de Proximidade (PIPP)
Santa Casa da Misericórdia do Porto
U.Dream
União de Freguesias de Aldoar, Foz do Douro e Nevogilde
União de Freguesias de Lordelo do Ouro e Massarelos
União de Freguesias do Centro Histórico do Porto (Cedofeita, Santo Ildefonso, Sé, Miragaia, São Nicolau e Vitória)
Universidade Católica Portuguesa – Centro Regional do Porto
VOU – Associação de Voluntariado Universitário
Financiadores

Financiamento privado da MdM (doadores individuais e coletivos que financiam a intervenção da Estratégia do Envelhecimento Ativo e Saudável da organização).

Atividades

O.E. 1.1: Funcionalidade, autonomia, segurança e prestação de cuidados no domicílio

  • Avaliações multidimensionais individualizadas (funcionais, clínicas, ambientais e sociais).
  • Produtos de apoio/ajudas técnicas 
  • Adaptações domiciliárias
  • Sessões de reabilitação (terapia ocupacional e/ou enfermagem de reabilitação)

O.E. 1.2:  Acesso a cuidados de saúde, sociais e comunitários 

  • Consultas de enfermagem 
  • Apoio medicamentoso 
  • Gestão e adesão ao regime terapêutico 
  • Preparações periódicas de terapêutica em unidose  
  • Consultas de psicologia
  • Referenciação e/ou acompanhamento de saúde, sociais e/ou comunitários 
  • Articulação institucional

O.E. 1.3: Literacia em saúde e capacitação 

  • Ações de capacitação dos cuidadores informais/ desenvolvimento de ferramentas para o autocuidado e boas práticas no processo de cuidar 
  • Ações individuais de educação para a saúde para os utentes
  • Sessões de terapia ocupacional
  • Ações de apoio/acompanhamento psicossocial

  
Monitorização e avaliação do projeto através da atualização do sistema de informação do projeto; plano de monitorização de atividades; reuniões mensais de equipa e relatório anual de avaliação técnica e financeira.
 

Resultados

Indicadores de medida – processo (outputs)

OE 1.1

  • N.º de avaliações multidimensionais individualizadas (fatores pessoais e fatores do contexto habitacional e acessibilidades) (N=100)
  • N.º de produtos de apoio/ajudas técnicas (N=75)
  • N.º de adaptações domiciliárias (N=30)
  • N.º de sessões de reabilitação (terapia ocupacional e/ou enfermagem de reabilitação) (N=100)

OE 1.2

  • N.º de consultas de enfermagem (N=240)
  • N.º de apoios medicamentosos (N=100)
  • N.º de ações de gestão e adesão ao regime terapêutico (N=120)
  • N.º de preparações periódicas de terapêutica em unidose (N=60)
  • N.º de consultas de psicologia (N=100)
  • N.º de referenciações e/ou acompanhamentos de saúde e/ou sociais e/ou comunitários (N=30)
  • N. º de articulações institucionais (N=300)

OE 1.3

  • N.º de ações de capacitação/desenvolvimento de ferramentas para o autocuidado e boas práticas no processo de cuidar (N=150)
  • N.º de ações individuais de educação para a saúde para os utentes previstas (N=120)
  • Sessões de terapia ocupacional (N=100)
  • Ações de apoio/acompanhamento psicossocial (N=180)

 

Indicadores de medida - resultado (outcomes)

OE 1.1

  • Pelo menos 50% dos beneficiários apresentam incremento (melhoria ou manutenção) da funcionalidade (pré e pós avaliação do score do Índice de Barthel e Escala de Lawton & Brody).
  • Pelo menos 60% dos beneficiários apresentam redução do risco de queda (pré e pós teste do HOME FAST ou checklist de risco domiciliário).

OE 1.2

  • Pelo menos 60% de beneficiários apresentam melhoria no acesso regular a cuidados de saúde (reporte de acesso mais regular após 12 meses, medido por registo pré/pós e seguimento clínico).
  • Pelo menos 60% de beneficiários apresentam melhoria da adesão ao regime terapêutico (avaliado por escala simples de cumprimento e observação clínica em visitas domiciliárias).
  • Pelo menos 30% de beneficiários acedem pela primeira vez a serviços sociais/comunitários relevantes (integração em pelo menos um novo serviço: SAD, CD, teleassistência, RNCCI, programas municipais, etc., verificado por referenciações e confirmações de integração).
  • Pelo menos 60% dos beneficiários referem diminuição da solidão/perceção de isolamento (avaliação com base em escala de perceção da solidão - ALONE).

OE 1.3

  • Pelo menos 60% dos beneficiários demonstram melhoria dos conhecimentos em saúde/autocuidado (avaliação pré/pós).
  • Pelo menos 60% dos cuidadores informais referem melhoria na autoconfiança para cuidar.

 

Indicadores transversais de impacto

  • Pelo menos 75% de beneficiários permanecem no domicílio (avaliação através de registos de acompanhamento e avaliação final).
  • Pelo menos 75% de beneficiários com melhoria da qualidade de vida (avaliação através do score pré e pós do WHOQOL-8).
  • Pelo menos 75% dos beneficiários apresentam-se satisfeitos com o projeto (avaliação através de registos de acompanhamento e avaliação final).