04 de junho de 2026
Num contexto internacional marcado por conflitos prolongados, crises humanitárias múltiplas e crescentes desigualdades no acesso a direitos fundamentais, este mandato representa uma oportunidade, mas também uma responsabilidade acrescida, para que Portugal contribua ativamente para uma ordem internacional mais justa, solidária e centrada nas pessoas.
Enquanto organização não‑governamental humanitária e de cooperação para o desenvolvimento, com foco na saúde, a Médicos do Mundo testemunha diariamente o impacto direto das decisões internacionais na vida de populações em situação de vulnerabilidade. Em contextos de conflito, deslocamentos forçados, pobreza extrema ou exclusão social, milhões de pessoas continuam privadas do acesso a cuidados de saúde essenciais, proteção e dignidade.
O Conselho de Segurança das Nações Unidas tem a responsabilidade de responder a ameaças à paz, apoiar a resolução de conflitos e adotar medidas concretas, incluindo missões de paz, sanções e outras decisões vinculativas, que influenciam diretamente a vida de milhões de pessoas em todo o mundo. Neste quadro, os membros não‑permanentes desempenham um papel essencial na construção de consensos, na promoção do diálogo multilateral e na defesa do direito internacional.
A Médicos do Mundo acredita que Portugal pode - e deve - assumir este mandato como um espaço de liderança ética e política, promovendo:
- A proteção efetiva de civis em contextos de conflito;
- O respeito e a defesa do direito internacional humanitário;
- O acesso universal a cuidados de saúde, incluindo em contextos de crise;
- A integração das necessidades humanitárias nas decisões políticas e de segurança;
- O reforço do multilateralismo, baseado na cooperação, no diálogo e no respeito pelos direitos humanos.
Num momento em que os princípios humanitários enfrentam desafios significativos, é fundamental que Portugal utilize a sua presença no Conselho de Segurança para colocar os direitos humanos e a dignidade das pessoas no centro das decisões internacionais, contribuindo para soluções sustentáveis que previnam conflitos e promovam a paz duradoura.
Este mandato deve também traduzir‑se na promoção de uma abordagem que valorize a escuta das comunidades afetadas, o papel das organizações humanitárias e a centralidade do acesso à saúde como um direito humano fundamental.
A Médicos do Mundo Portugal acompanhará atentamente o desempenho deste mandato, reafirmando a importância de uma ação coerente com os princípios do direito internacional, da solidariedade global e da justiça social.
