©Álex Zapico/Médicos del Mundo

Quando terminam as operações de busca e salvamento na sequência de um sismo, inicia-se uma nova corrida contra o tempo: evitar que a crise evolua para uma emergência de saúde pública.

21 de julho de 2026

As milhares de pessoas que perderam as suas habitações e permanecem em parques, abrigos improvisados ou outros espaços públicos enfrentam um elevado risco de doenças infeciosas caso o acesso a água potável, saneamento e cuidados de saúde básicos não seja rapidamente restabelecido.

 

“Neste momento, o principal foco de transmissão encontra-se nos abrigos e assentamentos temporários, onde existe uma elevada concentração de pessoas em espaços reduzidos”, explica Andrey Escalona, Coordenador Médico da Médicos do Mundo na Venezuela.

 

Após um sismo, a destruição de infraestruturas, a interrupção do abastecimento de água e a concentração de milhares de pessoas em condições precárias criam um contexto favorável ao surgimento de doenças infeciosas. Nestas circunstâncias, aumenta particularmente o risco de infeções respiratórias, doenças diarreicas associadas ao consumo de água contaminada e infeções cutâneas, como a escabiose e o impetigo.

A interrupção dos programas de vacinação e de outros serviços de saúde essenciais pode também aumentar o risco de surtos de doenças evitáveis, sobretudo entre a população infantil.

O acesso a água segura constitui um dos fatores mais importantes para prevenir uma segunda emergência. A água é indispensável não apenas para consumo humano, mas também para a preparação de alimentos, a higiene pessoal e a prevenção da propagação de doenças diarreicas. Em simultâneo, a acumulação de escombros, resíduos e materiais em decomposição, aliada às dificuldades na gestão do saneamento, aumenta o risco de aparecimento de novos surtos.

 

Segundo a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), a Organização Mundial da Saúde (OMS) e outras organizações humanitárias, após um sismo aumenta particularmente o risco de:

  • Doenças diarreicas, associadas à falta de acesso a água potável, saneamento inadequado e condições precárias de higiene nos abrigos;
  • Infeções cutâneas, favorecidas pela sobrelotação dos espaços e pelas dificuldades em manter condições adequadas de higiene pessoal;
  • Infeções respiratórias, especialmente em abrigos temporários com elevada concentração de pessoas;
  • Doenças preveníveis por vacinação, como o sarampo, devido à interrupção dos serviços de saúde e dos programas de imunização.

 

A resposta da Médicos do Mundo

Enquanto uma parte significativa da resposta inicial se concentra no resgate e na assistência hospitalar, a Médicos do Mundo identificou um défice relevante ao nível dos cuidados de saúde primários, fundamentais para evitar que problemas de saúde frequentes evoluam para uma crise de maior dimensão.

Nas próximas semanas, milhares de pessoas continuarão a necessitar de consultas médicas, medicamentos, cuidados de saúde materna e infantil, apoio em saúde mental e acompanhamento psicossocial.

Por essa razão, a organização está a concentrar a sua intervenção no apoio aos centros de saúde que se mantêm operacionais, no reforço da assistência nos assentamentos temporários, na prevenção de doenças infeciosas e na garantia da continuidade dos serviços essenciais de saúde.

A Médicos do Mundo está igualmente a desenvolver uma resposta em saúde mental dirigida tanto às pessoas que estiveram na linha da frente das operações de emergência, incluindo profissionais de saúde, equipas de resgate e militares, como à população afetada, através de acompanhamento individual.

Presente na Venezuela desde 2019, a Médicos do Mundo desenvolve programas nas áreas dos cuidados de saúde primários, saúde mental, saúde sexual e reprodutiva, nutrição e água, saneamento e higiene (WASH). Esta presença prévia no país permite ativar rapidamente mecanismos de avaliação e resposta em situações de emergência e adaptar a intervenção às necessidades das populações afetadas.

 

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