O Ébola continua a representar uma ameaça grave à saúde pública, especialmente em contextos de grande vulnerabilidade. Eis cinco coisas essenciais que deve saber para compreender melhor a situação. 

03 de junho de 2026

 

1. O Ébola é uma zoonose 

Trata-se de uma doença que pode ser transmitida dos animais para os seres humanos e vice-versa. Pode depois propagar-se de pessoa para pessoa, o que representa um risco de epidemia. 

Existem várias variantes do vírus Ébola, incluindo as variantes Zaire, Sudão e Bundibugyo, esta última ainda pouco conhecida e que está na origem da atual epidemia na República Democrática do Congo (RDC). 

A saúde humana, animal e ambiental estão intimamente interligadas. Para prevenir e reduzir os riscos sanitários associados às zoonoses, a Médicos do Mundo desenvolve, em vários dos seus projetos, incluindo na RDC, uma abordagem integrada “One Health”, que articula saúde humana, animal e ambiental 

 

2. É uma doença altamente letal 

O Ébola é uma doença viral muito grave. A taxa de letalidade é estimada em cerca de 50%, podendo variar consoante o contexto, o acesso aos cuidados de saúde e a rapidez da resposta. 

Embora a declaração oficial da atual epidemia na RDC tenha sido feita a 15 de maio, as autoridades sanitárias congolesas já registam mais de 220 mortes prováveis associadas ao vírus Ébola, e pelo menos 900 casos suspeitos foram identificados. 

Até ao momento, não existe qualquer tratamento ou vacina cuja eficácia tenha sido comprovada contra a variante Bundibugyo, o que torna esta epidemia ainda mais difícil de conter. 

 

3. Transmite-se por contacto direto 

O vírus Ébola transmite-se através do contacto direto com fluidos corporais de animais ou pessoas infetadas. 

Por este motivo, é essencial respeitar as medidas de prevenção, limitando ao máximo os contactos em período de epidemia e lavando frequentemente as mãos com água e sabão. 

O vírus não é transmitido por via aérea, ao contrário da gripe ou da COVID‑19. 

 

4. A RDC é o país mais afetado 

Esta é a 17.ª epidemia de Ébola (considerando todas as variantes) registada no país, o que faz da RDC o país mais frequentemente afetado por surtos de Ébola desde a descoberta do vírus, em 1976. 

O epicentro da atual epidemia situa-se na província de Ituri, mas as províncias do Kivu do Norte e Kivu do Sul também estão a ser afetadas. Foram igualmente confirmados vários casos no Uganda. 

Importa referir que a epidemia de Ébola mais mortífera ocorreu entre 2014 e 2016 na África Ocidental, causando mais de 11.300 mortes. 

Sistemas de saúde frágeis, vastas zonas florestais, acesso limitado a água potável, conflitos armados e deslocamento de populações são fatores de vulnerabilidade que ajudam a explicar o surgimento de epidemias de Ébola e as dificuldades no seu controlo. 

 

5. A resposta da Médicos do Mundo

As equipas da Médicos do Mundo estão mobilizadas no Kivu do Norte e no Kivu do Sul para apoiar as autoridades sanitárias face à ameaça da epidemia de Ébola. 

A nossa prioridade é reforçar as medidas de prevenção e controlo de infeções nas unidades de saúde, através da formação de profissionais e da disponibilização de material de higiene e proteção. 

Trabalhamos também com uma rede de agentes comunitários para reforçar a sensibilização das populações sobre os riscos da doença, a identificação precoce de sintomas e a adoção de medidas preventivas. 

A Médicos do Mundo está presente na RDC há mais de 30 anos. Durante a última epidemia de Ébola que afetou o leste do país entre 2018 e 2020, as nossas equipas já estavam no terreno e desenvolveram uma sólida experiência.