Fahran Khan, Anadolu Agency/AFP

Presente no Paquistão desde 1996, a Médicos do Mundo está a alargar as suas actividades no terreno, e pede financiamento e mobilização da comunidade internacional face à emergência. 
 

​​​Um terço do Paquistão está debaixo de água, depois de chuvas intensas terem provocado inundações sem precedentes. Face à dimensão da catástrofe, a Médicos do Mundo (MdM), presente no país desde 1996, através da delegação de França, está a alargar as suas actividades no terreno, e pede financiamento e mobilização da comunidade internacional.

Segundo os dados mais recentes, há 1.325 mortos, incluindo 466 crianças, e mais de 33 milhões pessoas afectadas pelas cheias. 

A MdM está reorientar as actividades para prestar ajuda médica de emergência na província de Khyber Pakhtunkhwa. A partir da base em Peshawar, no noroeste do país, estão a ser implantadas clínicas móveis em vários distritos para chegar às populações afectadas pelas cheias e às pessoas deslocadas.

"Vamos também destacar pessoal para fornecer medicamentos e apoiar as clínicas e os hospitais, ajudando a lidar com o fluxo de pessoas deslocadas com necessidades", explica David Annequin, responsável da unidade de emergência da MdM.

Estas são actividades essenciais, especialmente porque a ajuda humanitária e o acesso à população são por vezes muito difíceis, se não mesmo quase impossíveis. Algumas áreas são inacessíveis devido a confrontos armados ou constrangimentos geográficos, com muitas aldeias localizadas em montanhas elevadas e isoladas das estradas principais.

Paquistão_cheias_2022_08Aamir Qureshi/AFP

 

Inundações rápidas depois de uma seca primaveril

No final de Agosto, as inundações começaram repentinamente no norte do Paquistão, região que vinha a ser poupada pelas cheias que o país enfrenta desde Junho. Esta é uma estação das monções de uma magnitude sem precedentes, que se segue a uma seca primaveril recorde, já catastrófica para a próxima colheita. “Normalmente, há três ou quatro ciclos de monção, mas agora são sete ou oito. O efeito cumulativo é totalmente devastador”, sublinha David Annequin. 

O Paquistão já tinha sofrido inundações mortíferas em 2010 e, passados 12 anos, este frágil país volta a ser devastado por esta catástrofe da mesma magnitude, se não mesmo pior. 

“O balanço poderá ser muito pior, pelo que a nossa intervenção terá de ser a longo prazo para ajudar na recuperação da população e na reconstrução do país”, refere o chefe da unidade de emergência da MdM, sublinhando que “actualmente, as verbas disponibilizadas estão longe de ser suficientes dada a escala da situação. Por isso, apelamos à comunidade internacional para que esteja à altura do desafio e se mobilize para financiar a resposta de emergência no Paquistão.”

 

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