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Missão Esperança: há uma equipa multidisciplinar a ajudar quem precisa
11-7-2017

Missão Esperança: há uma equipa multidisciplinar a ajudar quem precisa

“Para além da logística e do voluntariado, é importante garantir a existência de uma equipa técnica multidisciplinar que possa sair para o terreno e ajudar as pessoas locais. Esta equipa é constituída por assistentes sociais, uma enfermeira e psicólogos voluntários. As respostas têm que chegar a quem precisa e a Cáritas é uma parceira indispensável na Missão Esperança.” – Carla Paiva, Directora Executiva da Médicos do Mundo


No terreno desde o início da Missão Esperança, a Cáritas Portuguesa tem trabalhado em parceria com a Médicos do Mundo para dar resposta às necessidades locais. A par dos bens materiais, é necessária a existência de uma equipa no terreno, que possa dar apoios de enfermagem, psicológicos, sociais e responder e encaminhar as sinalizações urgentes para as entidades competentes.

Mariana Figueiredo e Andreia Oliveira, da Cáritas Diocesana de Coimbra, são as assistentes sociais que têm estado envolvidas no apoio directo às vítimas do incêndio em Castanheira de Pera. 

Médicos do Mundo (MdM): Um dia depois do início do incêndio, a Cáritas Portuguesa estava no terreno. Como é que começou a vossa intervenção?

Mariana Figueiredo (M.F) - A intervenção começou quase no imediato. O presidente da Cáritas Portuguesa e o presidente da Cáritas Diocesana de Coimbra dirigiram-se à zona de Pedrógão Grande no primeiro domingo, dia 18, ainda com os fogos activos, para tentar perceber a dimensão do que estava a acontecer. Era preciso fazer um levantamento das necessidades mais emergentes. Com base na informação que conseguiram recolher, o Padre Luís Costa destacou uma equipa que se apresentou na segunda-feira para acorrer às zonas afectadas. A partir daí, dirigimo-nos às paróquias e a outras entidades locais que estavam a comandar as operações de forma a apresentar a nossa disponibilidade e perceber como é que poderíamos ser úteis. Inicialmente fomos até Avelar, onde estava o centro de operações, com a indicação de nos apresentarmos junto do Instituto de Segurança Social. Nessa manhã foi-nos logo dada a indicação de algumas situações emergentes e qual o material que devíamos levar connosco para o terreno e onde deveríamos descarregar. Estivemos com todos os municípios e as IPSS locais para tentarmos, de forma articulada, intervir. A partir de segunda-feira foi este o caminho que se começou a trilhar.

Médicos do Mundo (MdM): E como é que se delineou o trabalho com a Médicos do Mundo?

Mariana Figueiredo (M.F) - A equipa que estava destacada para vir aqui para Castanheira de Pera fez a articulação inicial com a Misericórdia e com os Bombeiros – responsáveis pelos centros de logística. Foi-nos dito num primeiro momento para não integrar as equipas no terreno e para aguardarmos o levantamento da Protecção Civil, que teria informação mais concreta sobre o número de desalojados e o número de casos afectados para depois, a partir daí, se traçar um plano de intervenção, o qual iríamos integrar. 

Na quinta-feira, quando nos apresentámos no quartel, deram-nos a indicação de que a Médicos do Mundo iria assumir o voluntariado e a logística das operações. A partir desse momento começámos um trabalho conjunto que uniu competências e forças distintas e que nos está a permitir dar respostas concretas e objectivas. As sinalizações são feitas e a equipa dirige-se ao local. Vamos ter com as pessoas, não esperamos que venham ter connosco. E isso é importante.

Médicos do Mundo (MdM): É uma mais valia contar com outra organização no terreno?

Mariana Figueiredo (M.F) - Nós estamos a aprender muito com a Médicos do Mundo. A Médicos do Mundo traz uma bagagem de conhecimento e experiência no terreno que nós efectivamente não tínhamos. As coisas não se fazem só com boa vontade! Esta missão é uma junção de esforços. A Cáritas tem pessoal técnico e é importante aliar a uma organização e a uma logística que nos permita chegar às pessoas e levar os cuidados e os bens doados. A Médicos do Mundo tem conseguido a articulação necessária com os agentes locais para este fim comum. Porque toda a gente quer ajudar mas é preciso organizar o trabalho e saber como fazê-lo.


A Missão Esperança continua em Castanheira de Pera, 24 dias depois de um dos maiores incêndios em Portugal. Juntos, com as entidades locais, os voluntários, os bombeiros e com os escoteiros, estamos a ajudar quem precisa.