RSS Facebook Twitter YouTube BlogSpot
SIGA-NOS
RECEBA A NOSSA
REVISTA FACE
insira o seu endereço electrónico

Rede MdM Internacional
Drogas: Chegou a hora de salvar vidas e reduzir riscos
5-7-2017

Drogas: Chegou a hora de salvar vidas e reduzir riscos

A utilização de Naloxona, medicamento capaz de salvar vidas em casos de overdose, e a implantação de estruturas de consumo assistido, que ofereçam acompanhamento e boas condições, são fundamentais na minimização de danos e na redução de riscos do consumo de drogas. No entanto, em Portugal o fármaco continua a não estar disponível e o consumo assistido, embora previsto na lei, ainda não foi colocado em prática.

São na sua maioria locais a céu aberto, junto a portas de garagens, descampados, em edifícios devolutos e junto a algumas estações de metro. As pessoas que consomem drogas nestes locais partilham o espaço com lixo, dejectos, animais e vegetação. Cenários repletos de riscos que requerem respostas e intervenção adequada para que sejam minimizados danos.

Formação Mala da Prevenção
Formação "Redução de Riscos e Minimização de Danos"

A promoção do conhecimento sobre como atenuar os impactos negativos do consumo de drogas e a ajuda a prestar em situação de overdose é por isso indispensável. Com esse objectivo realizou-se, a 22 de Junho, a formação gratuita "Redução de Riscos e Minimização de Danos", uma iniciativa do projecto Mala da Prevenção, com a colaboração da Médicos do Mundo (MdM) e da Mais Cidadania e o apoio da Mundipharma.

A iniciativa, que decorreu nas instalações da MdM, contou com as intervenções do Dr. Luís Patrício, psiquiatra, do Dr. Fadi Meroueh, médico e formador francês na área da Redução de Riscos e Minimização de Danos em consumidores de substâncias psicoactivas, e Patrícia Pereira e Viriato Silva, enfermeiros especialistas em Saúde Mental e Psiquiatria.


Naloxona, o fármaco que salva vidas

Hoje, apesar de não se conhecerem dados exactos, sabe-se que o número de overdoses está a aumentar em todo o mundo e com ele o risco de morte. Mas existe um medicamento ainda não disponível em Portugal que pode reverter a situação de overdose e salvar vidas.

Formação Mala da Prevenção
Dr. Fadi Meroueh, médico e formador francês

Sobre o papel da Naloxona na overdose opiácea, Fadi Meroueh sublinha que "em caso de dúvida de overdose ou de alguém ter consumido algo que nem sabemos o que é", este medicamento deve ser utilizado, não existindo "quaisquer contra-indicações, nem efeitos secundários".

Para o especialista, o fármaco deve estar disponível a todos, pelo que é necessário "formar não só o consumidor, como também os que o rodeiam, como a família, os amigos e aqueles que são mais próximos".


Consumo assistido previsto na lei mas sem aplicação

Em Portugal, as salas de consumo assistido estão previstas na lei desde 2001 mas até ao momento não ainda não passaram do papel, mesmo sabendo-se da sua importância na atenuação dos impactos negativos do consumo.

Formação Mala da Prevenção
Dr. Luís Patrício, psiquiatra

Segundo o psiquiatra Luís Patrício, estas estruturas "nunca foram criadas por razões políticas", considerando "uma vergonha" esta situação. "É necessário ultrapassar resistências dos políticos, dos profissionais e da população", acrescenta. Independentemente de salas fixas ou de unidades móveis, que se deslocam pelos locais com maior necessidade, para o psiquiatra o que é realmente necessário "é que haja competência para perceber qual o alcance e que haja entendimento e não demagogia, nem mentira".

A aguardar uma decisão política sobre a criação destas estruturas, anunciada para o final deste ano, está a Médicos do Mundo. Em parceria com o GAT, a organização tem já uma proposta para implementação de um programa de consumo vigiado móvel em Lisboa que aguarda aprovação e financiamento.

Formação Mala da Prevenção
Os enfermeiros Patrícia Pereira e Viriato Silva

Tal como explica Carla Fernandes, directora de Projectos Nacionais Lisboa e Sul da MdM, pretende-se que este programa possa "contribuir para a redução da morbilidade e mortalidade por sobredosagem, redução dos riscos e danos associados ao consumo injectado - infecção por VIH, hepatites virais, lesões -, diminuição do consumo injectado em espaços públicos e aumento de Utilizadores de Drogas Injectáveis em resposta de tratamento".

Também ciente da mais-valia da Naloxona numa equipa de Redução de Riscos e Minimização de Danos, Carla Fernandes revela que "a MdM irá administrar este fármaco quando este for disponibilizado para uso por parte das estruturas comunitárias".

A Médicos do Mundo agradece a disponibilidade dos especialistas presentes e a todos os que não quiseram perder esta oportunidade de aperfeiçoar os seus conhecimentos nesta área. O nosso bem-haja.

Para saber mais, leia na íntegra as seguintes entrevistas:

Dr. Fadi Meroueh

Dr. Luís Patrício

Carla Fernandes