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Rede MdM Internacional
Dia de São Valentim
14-2-2017

Dia de São Valentim

Conheceram-se há 40 anos e desde então que são namorados. Fausto é apaixonado pelo bom coração e pela solidariedade da esposa e Josefina está enamorada pela virtude do trabalho do marido.

Frequentam as actividades do Projecto Saber Viver da Médicos do Mundo, desde o seu início e é o amor e o cuidado que permitem organizar a agenda diária.

Entre risos e carinhos, responderam-nos a várias perguntas sobre o sentimento que os une: o amor verdadeiro.

Médicos do Mundo (MdM): Como é que costumam comemorar o dia de São Valentim?

Josefina: Comemoramos todos os dias! Eu chego a casa e dou-lhe um beijinho, ou sento-me um bocadinho no sofá ao pé dele…

Fausto: Mas também a minha mulher nunca tem vagar…Trata da costura, da roupa, está sempre ocupada! Quando vamos sair de casa e se ainda tiver 15 minutos para tratar de alguma coisa, vai tratar. Está sempre a trabalhar! E eu também. Nós devemos estar sempre ocupados! Costumo dizer, se um dia me condenassem a 1 ano de prisão, eu preferia que me dessem 2 mas que me pusessem a trabalhar. (risos) E somos assim…Ocupados e bem dispostos.

Foste sempre a minha amada

Como tu não há ninguém

Até os pés de galinha

No teu rosto ficam bem.

Josefina: O meu marido, há quase 40 anos que me escreve poemas espontaneamente! Depois deixa-os ali escritos para eu ver!

Fausto: Eu ia almoçar e enquanto a Josefina não chegava, deixava-lhe uns versos em cima da mesa.

MdM: Casou com um poeta! Qual é o segredo para um casamento duradouro?

Josefina: A fidelidade, ter noção do cumprimento do dever! Cada um de nós fez uma escolha maduramente e comprometeu-se a amar o outro. O amor tem a ver com o cuidado! Quando estava para casar com o meu marido, eu preocupava-me não só com a parte do afecto, mas também se era capaz de cuidar dele, para que estivesse bem. Por exemplo, eu vou-me deitar e antes deixo-lhe sempre o medicamento em frente ao botão da televisão. Como tem que a desligar, vê o remédio e a água e já não se esquece!

Fausto: Mas o casamento não é só rosas…E nós podemos discordar das coisas e depois chegar à conclusão de que o outro é que tem razão. E aí paramos, vamos ter com o outro e dizemos “afinal tu é que tinhas razão!”

MdM: E há razão para que os casais mais jovens tenham tantas separações? Qual é que acham que é a grande diferença entre os casais da vossa geração e o mais jovens?

Josefina: Talvez não queiram compromissos.

Fausto: Assumem os compromissos mas depois desistem deles!

Josefina: Mas não é só ao nível do casamento. Quando perguntam a alguém “és capaz de me prestar este serviço?” e a resposta é “Quando puder, faço…” Não se comprometem. Eu só não ajudo se não puder. E depois a vida acontece muito rapidamente. Nós carregamos num botão e tudo aparece feito, não há este saber esperar. No tempo em que fomos criados tínhamos que saber esperar. Amassávamos o pão, deixávamos fermentar, ia ao forno, arrefecia e depois é que o comíamos. Agora vamos ao padeiro e pronto. E isso reflecte-se no casamento. Na primeira zanga que os casais tenham, pensam logo na separação. Acho eu!

MdM: E qual é que acha que foi a maior prova de amor que o Sr. Fausto já lhe fez?

Josefina: A maior prova de amor... É uma vida toda cheia de provas de amor. Amar é um serviço. É o cuidar…

Fausto: É ajudar sempre sem estar à espera de algo. Fazer e estar à espera de algo é uma troca, não é uma ajuda. Amar é estar presente. Hoje por exemplo, tenho que ir fazer umas análises, e a minha mulher dizia “Não entres na cozinha”, para não ir comer.

Josefina: E tive o cuidado de lhe esconder o pão e o leite, para não se esquecer de ir em jejum. E depois vim para aqui.

MdM: E há quanto tempo é que vêm para aqui frequentar as actividades da Médicos do Mundo?

Josefina: Praticamente desde o início! E tento aproveitar todas as actividades, desde o tai-chi, a costura, o canto, a informática…ai a informática…eu sou muito má! (risos) Mas sei que é muito útil. Ainda no outro dia ajudei uma senhora, que não tem família e que precisava de ir ao médico, para fazer um exame ao coração. E o médico pediu-me para digitalizar lá umas análises que tinham a informação que precisavam. Eu não sei digitalizar, mas consegui mandar por email! Copiei os dados todos e mandei! E isso é-me muito útil. Depois precisei de ir ao Estoril representar a paróquia numa reunião. Mas eu não sabia onde era…peguei no computador e vi na Internet onde é que ficava. “Olha Fausto é aqui!” e consegui ver onde era e quantos minutos levava. É mesmo útil. É um serviço que consigo prestar a mim e aos outros.

Fausto:

No dia de São Valentim vou comprar umas flores

Para levar à minha amada

Levo-lhas porque estou vivo

Se estivesse morto, ela é que mas levava (risos)

MdM: E no dia de São Valentim, celebra-se o amor…O que é o amor?

Josefina: O amor é uma dádiva. É dar e receber. É saber perdoar. É a fidelidade.

Fausto: E a fidelidade não é só não estar com outra pessoa. É mais. Por exemplo, eu não consigo mentir à minha mulher!

Josefina: Eu também não sou capaz!

Fausto: Sou incapaz de trair seja no que for.

Josefina: Amor é essa a coerência…

Fausto: A honestidade tem que haver de parte a parte…Isso para mim é o essencial. Somos assim e assim morreremos.

MdM: Muito obrigada. Feliz dia dos namorados!

“A mulher faz o homem e o homem faz a mulher, quanto a isso não tenho dúvida nenhuma!” Fausto