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Médicos do Mundo condena violência em Gaza
16-05-2018

Médicos do Mundo condena violência em Gaza


A Médicos do Mundo, que está presente na Palestina há 16 anos, condena a utilização da violência por parte de Israel contra os civis palestinianos. A organização revela um cenário dramático com ataques a profissionais de saúde e a infra-estruturas médicas e a falta de medicamentos essenciais e meios suficientes para tratar os feridos.


Desde 30 de março que os palestinianos se manifestam para reclamar o regresso aos territórios de onde fugiram cerca 750 mil pessoas entre 1948 e 1949, num exôdo conhecido por "catástrofe" ("nakba", em árabe), cujo dia se celebrou na passada terça-feira. Querem o regresso de 5,3 milhões de palestinianos considerados como refugiados pela Agência das Nações Unidas de Assistência aos Refugiados da Palestina (UNRWA) e o respeito pelos seus direitos fundamentais.

O recurso à força excessiva por parte do exército israelita já provocou a morte de mais de 80 mil palestinianos e um número superior a 8500 feridos. As manifestações que ocorrem em Gaza e na Cisjordânia podem conduzir a um cenário ainda pior.

Gaza Reuters
Crédito foto: ©Reuters

E não são só os civis a sofrer com a violência. Profissionais de saúde e infra-estruturas médicas estão igualmente a ser alvo de ataques abusivos dos israelitas. A Médicos do Mundo já conseguiu contabilizar mais de 169 profissionais de saúde feridos e 19 ambulâncias danificadas.

O sistema de saúde de Gaza também tenta fazer face à falta de medicamentos essenciais e não tem meios suficientes para tratar o número feridos. De acordo com o Gabinete das Nações Unidas para os Assuntos Humanitários (OCHA), dos 148 tipos de medicamentos necessários para responder às situações detectadas, um terço não se encontra actualmente disponível no território.

Infelizmente, esta situação dramática não é nova para os palestinianos que vivem em Gaza. Em 11 anos já conheceram três guerras com Israel e vivem sob permanente bloqueio terrestre, aéreo e marítimo. Um bloqueio qualificado pela comunidade internacional de punição colectiva, com repercussões directas na vida das pessoas e entraves ao acesso a cuidados de saúde, medicamentos, água potável, alimentação, electricidade e à livre circulação.

De acordo com o médico Jean-François Corty, director de Operações Internacionais da delegação francesa da Médicos do Mundo, "com apenas poucas horas de electricidade por dia, dificuldades na importação de medicamentos, de material médico e no encaminhamento de doentes para instalações de saúde apropriadas, o bloqueio tem efeitos desastrosos na saúde dos civis. A desumanidade aplicada aos habitantes de Gaza nesta prisão a céu aberto deve ser denunciada".

A Faixa de Gaza não é o único local a sofrer com os excessos de Israel. Na Cisjordânia e em Jerusalém Oriental, a colonização, iniciada em 1967, intensificou-se a cada ano. Contabilizam-se actualmente perto de 600 mil colonos e 150 mil colónias que violam totalmente o direito internacional. Neste âmbito, a resolução 2334 do Conselho de Segurança das Nações Unidas, de 23 de Dezembro de 2016, exige "a cessação imediata" da colonização israelita.

A delegação francesa da Médicos do Mundo está presente em Gaza e na Cisjordânia. Todos os dias as nossas equipas conhecem, tratam e acompanham vítimas palestinianas desta situação catastrófica. Na Faixa de Gaza, a Médicos do Mundo intervém na preparação de estruturas de cuidados de saúde para situações de emergência. Na região de Nablus, trabalha para minimizar o sofrimento psicológico e o stress provocados pela violência dos colonos e do exército israelita.

Conhecendo as dificuldades e as violações do direito internacional humanitário que se registam diariamente no terreno, a Médicos do Mundo apela à comunidade internacional para exigir às autoridades israelitas:

- Cessação do uso excessivo da força contra civis;
- Fim dos entraves ao direito à vida, à saúde e à manifestação dos palestinianos; e
- Término da colonização em Jerusalém Oriental e na Cisjordânia, assim como fim do bloqueio, sem condições, da Faixa de Gaza.

Finalmente, a Médicos do Mundo defende um inquérito internacional independente e transparente sobre os incidentes registados na fronteira da Faixa de Gaza.


Rede de 80 ONG também condena acção de Israel

A AIDA (Ayuda, Intercambio y Desarrollo), uma rede de 80 Organizações Não-Governamentais internacionais, presente nos territórios ocupados da Palestina, também condenou o assassinato de manifestantes por parte de Israel na Faixa de Gaza.

Nas últimas três semanas, 100 palestinianos foram mortos e mais de 12 mil pessoas ficaram feridas, incluindo 100 crianças. Devido à impossibilidade de aceder a serviços de cirurgia fora da Faixa de Gaza, 21 dos feridos durante as manifestações sofreram amputações.

Tendo em conta este cenário, a AIDA pede a todos os países que condenem os homicídios, aumentem a pressão sobre Israel para pôr termo imediato ao uso de munição real contra manifestantes desarmados e que levantem o bloqueio ilegal à Faixa de Gaza.