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Saúde para todos - Acesso Universal à saúde: a todos, em qualquer lugar
07-04-2018

Saúde para todos - Acesso Universal à saúde: a todos, em qualquer lugar

Celebra-se dia 7 de Abril o Dia Mundial da Saúde, sendo que este ano o tema lançado pela Organização Mundial de Saúde (OMS) é: “Health for all - Universal health coverage: everyone, everywhere”

Creio que não poderia ser um mote mais ambicioso, se considerarmos que metade do mundo não tem acesso a cuidados básicos de saúde, segundo a própria OMS.

Em muitas áreas de intervenção, no domínio da saúde, esta lacuna faz-se sentir, mas porventura aquela que mais rapidamente seria atenuada (pela célere capacidade de produção e subsequente distribuição) seria a da disponibilização de terapêuticas através, nomeadamente, do acesso a medicamentos.

No entanto, este tema (o acesso a fármacos) configura-se como um grave problema de saúde mundial e sua solução depende de uma intrincada rede de ações em todas as esferas, concretamente económica, política, legislativa e jurídica.

De facto, e também de acordo com a OMS, um terço da população mundial, ou seja cerca de 2,5 mil milhões de pessoas, grande parte habitantes dos continentes Africano e Asiático, está à beira da morte porque não tem medicamentos, fenómeno que também se deve, inquestionavelmente, a interesses de natureza económica. Refira-se que nestes países são gastos, em medicamentos, apenas cerca de 10 euros do Produto Interno Bruto (PIB) por cada habitante enquanto nos países desenvolvidos esse valor ascende aos 153 euros, pelo que não será de estranhar que 98% das mortes em menores de 15 anos ocorram em países em vias de desenvolvimento.

O fenómeno económico da globalização parece ter-se encarregue de transformar o problema do acesso ao medicamento numa questão multifacetada, como que diluindo a solidariedade, e mesmo o sentido humanitário, dos países desenvolvidos para com os países subdesenvolvidos e em vias de desenvolvimento.

Adicionalmente, e pese embora o crescente desenvolvimento de uma consciência de responsabilidade social empresarial, seria ingénuo esperar que entidades fundadas no comércio e que actuam no sector económico se prontificassem a abrir mão dos seus ganhos em prol do benefício social, embora se assistam, frequentemente, a situações que enobrecem as poucas empresas que o fazem.

Assim, ainda que os riscos gerados com a globalização não possam ser eliminados, poderiam ser mitigados se os líderes mundiais trabalhassem em conjunto e aprendessem, mais, com os erros do passado.

Infelizmente, nenhum dos cenários parece fácil de acontecer, pelo que resta a cada um de nós, cidadãos, procurar dar mais e melhores contributos sejam estes materiais ou do foro instrumental, para que possamos caminhar para um mundo mais justo e solidário.

António Hipólito Aguiar
(Médicos do Mundo-Portugal)