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500 mil mortes na Síria. Médicos do Mundo pressionou ONU a agir
26-02-2018

500 mil mortes na Síria. Médicos do Mundo pressionou ONU a agir

Uma coligação de organizações médicas e humanitárias, entre as quais a Médicos do Mundo, instou, na semana passada, o Conselho de Segurança da ONU a votar na cessação imediata de fogo, de forma a permitir a ajuda humanitária de emergência em todas as áreas afectadas na Síria. Neste sábado, 15 membros do Conselho de Segurança da ONU aprovaram uma resolução que prevê um cessar-fogo humanitário.

O Secretário Geral das Nações Unidas exigiu esta segunda-feira que a resolução adoptada no sábado fosse aplicada imediatamente, de modo a garantir a intervenção segura dos serviços humanitários em torno de áreas como Ghouta Oriental, onde mais de 300 pessoas morreram desde domingo, vítimas do governo sírio e das forças aliadas. A resolução pretende evitar ataques indiscriminados por grupos armados de oposição na região de Damasco, onde pelo menos 15 pessoas morreram desde domingo.

"A situação em Ghouta é catastrófica. Muitas pessoas morreram e o número de vítimas está a aumentar constantemente. relata o Dr. Hamza, um médico da ONG Syrian American Society Foundation (SAMS) em Eastern Ghouta. "Nenhuma palavra pode descrever o terror que estamos aqui a passar."


Créditos: SAMS

O Dr. Hamza explica que as famílias são "enterradas em porões, aterrorizados com metralhadoras e bombardeamentos. Devido à falta de ajuda médica e condições de vida deploráveis, as doenças da pele, como a sarna, estão a espalhar-se e as doenças crónicas continuam a agravar-se.

O Dr. Hamza continua: "Acabei de tratar uma mulher de vinte e poucos anos que pronunciou as suas últimas palavras há apenas três horas. Ela estava grávida de sete meses, e não conseguimos salvá-la. Há uma grande escassez de medicamentos e equipamentos para tratar os pacientes em Ghouta. Nenhuma das pessoas mortas são alvos militares, são todos civis." A recusa de emitir suprimentos aos médicos impede-os de cumprir os seus deveres. Os medicamentos necessários e o equipamento cirúrgico são inexistentes e são constantemente removidos dos comboios de ajuda humanitária sem qualquer justificação.
Um dos maiores obstáculos que os cuidadores enfrentam é a negação quase sistemática de pedidos de evacuação de pacientes criticamente doentes, incluindo indivíduos com tumores ou sérios problemas cardíacos. Nos raros casos em que foram capazes de evacuar os pacientes, alguns morreram enquanto aguardavam a evacuação da Síria ou aguardavam o tratamento no país. Actualmente, mais de 700 pacientes necessitam de evacuação médica. Este recente aumento da violência tornou esta crise numa das piores crises alimentares desde o início do conflito sírio, com a ONU s confirmar que 12% das crianças do leste de Ghouta com menos de 5 anos sofrem de desnutrição aguda.

Créditos: Reuters