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Rede MdM Internacional
Uma manhã com as Pessoas em Situação de Sem Abrigo
31-01-2018

Uma manhã com as Pessoas em Situação de Sem Abrigo

O relógio marca 10h00 am. A unidade móvel da Médicos do Mundo está pronta para deixar a sede, na Avenida de Ceuta, e iniciar mais uma intervenção na cidade de Lisboa.

O trabalho desta unidade móvel está inserido no projecto Saúde a Girar ,da Médicos do Mundo, que tem como principal objectivo intervir directamente na vida das Pessoas em Situação de Sem Abrigo (PSSA), através do contacto directo, em contexto de rua, com cuidados básicos de saúde.

A equipa, constituída por três elementos; Mykola Chabam, motorista e tradutor, Joana Tavares, enfermeira e Telma Lopes, enfermeira voluntária, dirige-se para a freguesia do Beato. O trabalho de voluntariado tem sido um pilar muito importante para o trabalho da MdM e por isso, Telma recorda que sempre quis fazer algo pelos outros. “O desejo de ser voluntária surgiu há vários anos, na sequência de uma estadia de um mês, em Moçambique, através de uma organização internacional. Depressa percebi que não precisava de ir para o estrangeiro para ser voluntária e decidi juntar-me, em 2012, à Médicos do Mundo”, refere.

Perto do bairro branco, numa zona descampada e tranquila, o olhar esconde uma escadaria que nos leva à “casa” de Rui e José, dois jovens em situação de sem abrigo que vivem debaixo de uma ponte, com os três cães. Hoje, para além dos cuidados primários de saúde, Rui recebeu um agasalho doado por elementos da Médicos do Mundo. “Tendo em conta o plano de contingência para as vagas de frio e prevendo que mais um Inverno rigoroso se avizinha, decidimos, na MdM, fazer uma recolha interna de agasalhos e mantas para doar às Pessoas sem Abrigo. Em cada agasalho colocámos um cartão com umas palavras de conforto e amizade”, explica Joana Tavares.

As feridas que José tem nas pernas e que insistem em não cicatrizar foram hoje, mais uma vez, desinfectados. Os conselhos da enfermeira Joana são acatados com um sorriso e um aceno. Apesar dos problemas, o ambiente é de amizade, cumplicidade e boa disposição. “Estamos aqui para ajudar, encaminhar e proporcionar um momento de calor humano”, confessa Joana.

Enquanto a unidade móvel fica de porta aberta a receber quem precisa, Telma e Mykola vão a pé até ao bairro branco, para recolher seringas e material de consumo usado e ir ao encontro de outras carências. Regressam acompanhados de Nuno, um jovem em situação de sem abrigo que anda a ser “perseguido” por uma dor de dentes. Na Unidade Móvel entregam-lhe analgésicos com as devidas recomendações; “Estes comprimidos são para tomar de 12 em 12 horas com o estômago cheio”, explica a enfermeira Telma Lopes.

Concluída a primeira paragem, a equipa entra na unidade móvel e dirige-se para a área de Santa Apolónia. Na zona ribeirinha, do outro lado da linha do comboio, por baixo de um dos viadutos, começamos a ouvir música…avistamos três amigos que partilham a mesma “casa”. A unidade móvel fica estacionada e encontramos José, um rosto familiar. Há cerca de 15 anos que a rua é o seu tecto, por vicissitudes da vida. Ultimamente, devido à vaga de frio, tem sentido dificuldades respiratórias. A enfermeira Joana Tavares confirma se José tem feito a medicação e, uma vez mais, aconselha-o carinhosamente a não deixar o tratamento.

A equipa da MdM que prima pelos princípios écticos, confidencialidade, profissionalismo, integridade no atendimento e acompanhamento das situações, já está no terreno há mais de 13 anos.

A prestação de cuidados globais de saúde é o pilar da acção e o trabalho desta Organização assenta no direito fundamental de todos os seres humanos terem acesso a cuidados de saúde, independentemente da sua nacionalidade, religião, ideologia, raça ou possibilidades económicas.

São 13h00 quando a unidade móvel regressa à sede da MdM. É tempo de parar e preparar o turno da tarde. O sentimento de missão cumprida…esse não existe porque o trabalho desta equipa é diário e nunca se esgota, há lugar ao sentimento de amizade e altruísmo por uma manhã bem sucedida!