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Dia Internacional para a Erradicação da Pobreza.
No dia 17 de Outubro comemora-se o Dia Internacional para a Erradicação da Pobreza. Somos quase 6 mil milhões de habitantes no planeta Terra, sendo que 1,2 mil milhões de nós sobrevive em condições de extrema pobreza (20% da população mundial), isto é, vive com menos de um dólar por dia. Destes, 70% são mulheres, 6,3 milhões de crianças morrem de fome por ano e existem 842 milhões de pessoas subnutridas no mundo.

Foto: http://feministactual.wordpress.com/category/pobreza/

Somos quase 6 mil milhões de habitantes no planeta Terra, sendo que 1,2 mil milhões de nós sobrevive em condições de extrema pobreza (20% da população mundial), isto é, vive com menos de um dólar por dia. Destes, 70% são mulheres 6,3 milhões de crianças morrem de fome por ano e existem 842 milhões de pessoas subnutridas no mundo.

Fonte: www.oikos.pt

Nos países em desenvolvimento, mais de 1000 milhões de pessoas carecem de habitação adequada e estima-se que 100 milhões estejam sem abrigo. Um quinto da população não tem expectativas de vida para além dos 40 anos de idade, 160 milhões de crianças são subnutridas, 110 milhões não recebem educação primária e meio milhão de mulheres morre anualmente durante o parto. Estes são escassos exemplos das sérias catástrofes que a pobreza, directa ou indirectamente, tem vindo a desencadear.

É importante lembrar nesta data, o primeiro Objectivo de Desenvolvimento do Milénio: erradicar a pobreza extrema e a fome, reduzindo para metade, entre 1990 e 2015, a proporção de população cujo rendimento é inferior a um dólar por dia. Os países da África Subsaariana, nomeadamente Moçambique, têm registado progressos demasiado lentos em matéria de realização deste objectivo. A seis anos da data-limite fixada, ainda são muitos aqueles que acreditam que, apesar dos resultados actuais, o alcance do primeiro objectivo é uma missão possível e comportável em termos de custos.
Existe um manifesto que surge no âmbito dos compromissos assumidos pela União Europeia, em 2000, nas Cimeiras de Lisboa e de Nice, e aproveita a onda mobilizadora da campanha mundial Global Call for Action Against Poverty, que em Portugal tem o nome de PobrezaZero (
www.pobrezazero.org), para afirmar que o relegar para o passado da pobreza no mundo, passa necessariamente pela sua erradicação também em Portugal.

No âmbito do projecto de MdM, Noite Saudável, foi realizada uma reportagem de rua sobre a intervenção realizada junto da população de rua mais desfavorecida, que ilustra bem o leque de amplas dificuldades com que vivem estas pessoas.

RETRATO NACIONAL

A pobreza, em Portugal, é um problema social grave e o seu não reconhecimento tem-se revelado, ultimamente, um dos maiores entraves à sua erradicação.

Entre 2007 e 2008, a taxa de risco de pobreza, ou seja, pessoas que auferem um rendimento inferior ao limiar de pobreza (384,5 euros/mês - 14 meses) aumentou em Portugal de 10% para 12% entre os empregados (+20%); e de 32% para 35% (+9%) entre os desempregados;
Relativamente aos desempregados, a dimensão da pobreza é ainda maior do que aquela que revelam os dados anteriores do INE. Efectivamente, em Maio de 2009, a taxa de desemprego em Portugal atingia, segundo a OCDE, 9,3% o que correspondia a 520.316 desempregados;
Isto significava que, pelo menos, 57 em cada 100 desempregados ou não recebiam subsídio de desemprego ou recebiam um valor inferior ao limiar da pobreza;
Entre 2007 e 2008, a taxa de pobreza, ou seja, com rendimentos inferiores a 384,5 euros /mês (14 meses), das famílias com filhos aumentou de 18% para 20%, e dos jovens com idade entre os 0-17 anos subiu de 21% para 23%;
Dramática é assim a situação dos desempregados em que o risco de pobreza aumentou, entre 2007 e 2008, de 32% para 35%. Portanto, em 2008, segundo o INE, 35 em cada 100 desempregados tinha para viver um rendimento mensal inferior a 384,5 euros (14 meses), o que é uma situação inaceitável sob o ponto de vista social;
No fim do 1º Trimestre de 2009, o número de desempregados a receber subsídio de desemprego, era apenas 301.080, segundo o Ministério do Trabalho e da Solidariedade Social. Isso significava que existiam 194.720 desempregados que não tinham direito ao subsídio de desemprego se utilizarmos os números do desemprego oficial;
Mais de 31% dos desempregados com direito ao subsídio de desemprego recebem um valor inferior ao limiar da pobreza e o valor do subsídio diminuiu entre 2008 e 2009;

Fonte: INE - Instituto Nacional de Estatística

Por outro lado, Portugal é o país da Europa com maior desigualdade entre ricos e pobres:

As 100 maiores fortunas portuguesas representam 17% do Produto Interno Bruto Nacional - 22.4 mil milhões de euros;
O país tem a pior distribuição de riqueza, no seio da União Europeia, com os 20% mais ricos a controlar 45.9 por cento do rendimento nacional;
10 800 pessoas têm rendimentos de cerca de 816 mil euros anuais;
Em 2001, a Segurança Social gastou com cada português, apenas 56,9% do que habitualmente gastam os outros países da União Europeia.

AGENDA NACIONAL

Em Portugal, este dia é comemorado a nível nacional pela iniciativa "Levanta-te e Actua" que é definida como um apelo global para agir contra a pobreza e pelos Objectivos de Desenvolvimento do Milénio (ODM). Em todo o mundo entre os dias 16 e 18 de Outubro, as pessoas vão, literal e simbolicamente, levantar-se e fazer-se ouvir exigindo que os seus governos cumpram com as promessas de acabar com a pobreza extrema, para o alcance dos ODM, até 2015.
As coligações de cada país determinam depois as suas mensagens políticas de acordo com as prioridades nacionais, baseadas na Declaração de Beirute e reafirmadas na Declaração de Montevideu do GCAP. Em Portugal, a mensagem política central é "Contra a Pobreza e Pelos Objectivos do Milénio", que tem foco nos temas:
Prestação pública de contas, boa governação e cumprimento dos direitos humanos;
Mais justiça no comércio internacional;
Aumento em quantidade e qualidade da ajuda pública para o desenvolvimento (APD);
Perdão da Dívida Externa dos países mais pobres;
Obtenção e superação dos ODM;
Luta contra as desigualdades e promoção da igualdade de género e oportunidades.

Para consulta de vários eventos promovidos por Pobreza Zero, por favor consulte: http://pobrezazero.heylife.com/?p=1


MAIS DADOS SOBRE A POBREZA NO MUNDO:

980 milhões de pessoas vivem com menos de 75 cêntimos por dia e quase metade da população mundial (2,8 mil milhões) vive com menos de 1,5E por dia.
Mais de 800 milhões de pessoas vão para a cama com fome todos os dias; 300 milhões delas são crianças. Desses 300 milhões de crianças, apenas 8% são vítimas de secas ou de outras situações de emergência; mais de 90% sofre de má nutrição de longo prazo e de deficiências de micronutrientes.
A cada ano, seis milhões de crianças morrem de subnutrição antes de completarem cinco anos de idade.
Mais de 50% dos africanos sofre de doenças relacionadas com a água, como a cólera e a diarreia infantil.
A África Subsariana tem apenas 4% dos trabalhadores na área da saúde, mas 25% do peso mundial de doenças. As Américas têm 37% dos seus trabalhadores na área da saúde, mas apenas 10% do peso mundial de doenças.
Mais de 1 em cada 4 pessoas adultas não conseguem ler ou escrever; dois terços delas são mulheres.
As mulheres trabalham dois terços das horas de trabalho no mundo, produzem metade da comida do mundo, mas recebem apenas 10% da renda mundial e possuem menos de 1% da propriedade privada mundial.
Quatro em cada dez pessoas no mundo não têm sequer acesso a uma simples latrina. Cinco milhões de pessoas, a maioria delas crianças, morrem em cada ano, devido a doenças ligadas ao contacto com a água.
2,6 mil milhões de pessoas não têm acesso a condições sanitárias dignas. O Objectivo de Desenvolvimento do Milénio nº7, sobre providenciar metade do deficit global de condições sanitárias, partindo dos níveis de 1990, apela para a extensão das mesmas a mais de 120 milhões de pessoas por ano, até 2015.

Fonte: http://www.levanta-te.org/2009/levanta-te-e-actua.htm



publicado em: 16 de Outubro 2009
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